Ele jé tem bem seus 70 anos banhados por uma doçura que transborda dos olhos. Ele me ensina sobre a etmologia das palavras, sobre os lugares que ainda não conheci, corrige meus mais pequenos defeitos fonéticos. Ele é casado com a Thaís, que é pura energia, pura alegria de viver. Ela me tenta, me instiga a viajar para toda parte e tem as melhores dicas para organizar qualquer viagem. E é por eles que me disponho à frequentar as aulas de inglês todas as quartas feiras. Não apenas para praticar, mas para ter lições sobre alegria de viver e vitalidade. E eles são muito espertos, e Thomás sempre acerta com suas opniões diretas captando toda a minha ausência seguida de semi-suspiros e sorrisinhos bobos.
” Ligia, vamos escutar uma música agora?” Tá bom, digo eu, estranhando essa quebra nos protocolos oficiais…
The very thought of you and I forget to do
The little ordinary things that everyone ought to do
Im living in a kind of daydream
Im happy as a king
And foolish though it may seem
To me thats everything
The mere idea of you, the longing here for you
Youll never know how slow the moments go till Im near to you
I see your face in every flower
Your eyes in stars above
Its just the thought of you
The very thought of you, my love
The mere idea of you, the longing here for you
Youll never know how slow the moments go till Im near to you
I see your face in every flower
Your eyes in stars above
Its just the thought of you
The very thought of you, my love
Nat King Cole, para disparar meu coração, aumentar a intensidade dos suspiros e me colocar no tal “daydreaming mode”. Thomás sabe das coisas. Na verdade, sem precisar dizer nada Thomás sabe tudo, pelo menos o “essencial”.
I could be a mad bitch sometimes beibes, mas atualmente estou atuando mais no sweetie mode por razões que minha própria razão decidiu ignorar. Dessas coisas que a gente sente e nada mais importa. Só por que é bom e faz a vida mais feliz. Daydreaming gente, altamente recomendo. Agora saiam daqui e vão ser felizes, por que é exatamente o plano que tracei para o tempo enquanto a vida me permitir (this time).
E o terceiro dia beibe, puro discontrol. Beesharada louca e descabelada, descendo até o chão. Festa brega? Nada bem, aquilo foi puro loosho. Pétit Prince desistiu da Tour, mas o fechamento foi ouro puro. Díguino, leendo e memorável. O que vier depois disso é “plus”. E claro que a gente pede, a gente quer, por que a gente góstia mesmo é da lama.
Se dancei? Dancei, abusei e me esbladei. Acordei com as cotcha tudo dura, toda dolorida. Muito melhor que a maromba da semana inteira. Vai prá balada e ainda turbina o popozão. Por que beesha fina é assim, beesha fina sabe das coisas!E teve Xuxa, teve paquitas paquitudas, teve show de lambada. E teve créu na velocidade 5 do poder ninja. Não foi para qualquer periguete dessas da noite não. Só profissionais.Para o Pétit Prince vódega, e a resistência ficou no gin tônica que está dando flashback até agora. Percebam que a noite foi turbinada. Afinal 30 anos my dear, é pura potência! E a beesharada fraca que se morda de ódeo, por que nessas noites de comemoração real, a gente brilha, e brilha mooito!
Enfim o feliz final da luta contra as pulgas? Pois é, viajei, fiquei longe de casa desde dezembro e quando voltei não eram apenas as beeshas que haviam dominado tudo, mas as beeshas das beeshas: Pulgas, felizes, saltitantes nos embalos carnavalescos da Beija flor… Depois de duas semanas limpando e dedetizando tudo acho que finalmente se foram.
E as férias se acabam, os amores estão longe e de repente se descobre tanto. Da falta, da ausência, da distância. Dos quase, sobre o que poderia ter sido e que não foi. E a frustração é semelhante ao ouvir tango sem poder bailar. Ah esses “quase” que estão por toda parte, e fazem suspirar! Ainda bem que inventaram as segundas chances!
Descubrimos vos y yo
en el triste carnaval
una música brutal
melodías de dolor
Despertamos vos y yo
y en el lento divagar
una música brutal
encendió nuestra pasión
Dame tu calor
bébete mi amor
…depois de você o vermelho não é mais vermelho
o azul do céu não é mais azul
e as árvores não são mais verdes.
Depois de você tenho que buscar as cores em nossas lembranças.
Depois de você sinto falta até da dor do nosso amor clandestino,
sinto falta da expectativa da renúnica.
Das mensagens cifradas, dos nossos olhares roubados em meio a um mundo de cegos
que não queriam ver.
Pois se vissem seríamos sua vergonha, seu ódio, sua crueldade.
Me arrependo por não ter tido coragem de te pedir perdão.
Por isso não posso nem ao menos ter coragem de olhar para sua janela.
Era lá que eu sempre o via quando ainda nem sabia seu nome.
E você sonhava com um mundo melhor, no qual não se podia proibir uma árvore de ser árvore
e o azul de se tornar céu.
Não sei se este é um mundo melhor.
Como posso dizer que esse é um mundo melhor?
Como posso dizê-lo sem você?
“…e invente um amor que não existe, que nunca existiu…”
Se não existiu não sabe avaliar, tamanha a efemeridade do sentimento. Mas era real, quando estava ali vivendo aquele momento o tal “amor” era real. Não apenas real, mas o maior amor do mundo. Não, não se tratava de algo inventado, pois ela sentia arder o peito e não poderia parar de olhá-lo. Delicado, jovem, lindo e loiro. Não parecia assim tão jovem. Mas pelas dúvidas, melhor perguntar-lhe a idade. 24 anos respondeu. Três menos que ela. Ariano, mais jovem. Karma? Talvez. Mas quando sorria, as covinhas no rosto e seus olhos, ah como brilhavam. E assim o via, jovem. E imaginava que quando pequeno deveria ter cachinhos dourados, como um anjo. Mas aquela noite, à luz de velas num resto-bar em Retiro, ela se afundava na leveza de seus olhos e no calor de suas mãos. Sim eram quentes. Quentes e seguras demais para as mãos de alguém tão jovem. Curioso, mas aprazível.Jovem, mas nada bobo, nada ingênuo. Sorriso de menino, mas já era um homem. Homem o suficiente. E entre um beijo e outro não podiam esperar. Não esperaram. E sem muito que escolher entregaram-se às luzes fúccias de um amor fácil e transitório. E assim seguiram por uns dias, até que não se podia mais. Até que as obrigações e as cousas do destino os separaram. Foi bonito, cálido, quente e efêmero. Não foi um amor inventado, esteve ali, no calor dos corpos baixo às luzes róseas e púrpuras daquelas noites. Coisas para recordar-se e sorrir. Lembranças leves de um amor que existiu, mas que já não está. Talvez seja assim por caprichos da beleza, que por vezes teima em ser tão efêmera, mas nem por isso menos bela.
Domingo teve festa de happy birthday tio. Enfim brazilian barbecue with bear básico, with bear, and wine, and proseco and scotch. Tudo fino, nem deu ressaca. Mas sociabilizei, dancei salsa, merengue e conga conga conga. Nada assim lamão bas fond, apenas Liginha alegrinha no país das maravilhas.
Quarta festeenha básica de fim de ano do trampo. Vestidinho roxo, praticamente uma ameixa rebolante. Proseco, docinhos, comidinhas. Paguei de fotógrafa oficial e promoter. Sociabilizei horrores. Dancei, desta vez forró com novinhos, velhinhos e paraenses. Dancei um bolerinho básico e no final, sambão estilo globeleuza. Drews me perguntou sobre minhas raízes baiânicos nordestinicas afro descendentes, pois se não tenho melanina me sobra o rebolado. E tudo terminou bem, foi feliz prá caramba e ganhei um squeeze novo para a academia.
Hoje folga, malhei, corri atrás das cousas para viagem. Tudo certo, fora a parte de eu não coseguir reservar hotel, hostel, pousada nem o banco da praça with my own sleeping bag. Mas tou indo rumbo a Boinosares, ano novo com tangos, milongas e tudo que eu tiver direito. E que nossasinhoura dos desabrigados me ajude. Amém.