Kittens…

Só gatos, por que beesha baranga tem que ser barrada no baile M.E.S.M.O. Nhé!

Arquivo da categoria ‘do amor e outros demônios.’

Thomás sabe das cousas…

Publicado por Ligia em Abril 10, 2008

Ele jé tem bem seus 70 anos banhados por uma doçura que transborda dos olhos. Ele me ensina sobre a etmologia das palavras, sobre os lugares que ainda não conheci, corrige meus mais pequenos defeitos fonéticos. Ele é casado com a Thaís, que é pura energia, pura alegria de viver. Ela me tenta, me instiga a viajar para toda parte e tem as melhores dicas para organizar qualquer viagem. E é por eles que me disponho à frequentar as aulas de inglês todas as quartas feiras. Não apenas para praticar, mas para ter lições sobre alegria de viver e vitalidade. E eles são muito espertos, e Thomás sempre acerta com suas opniões diretas captando toda a minha ausência seguida de semi-suspiros e sorrisinhos bobos.
” Ligia, vamos escutar uma música agora?” Tá bom, digo eu, estranhando essa quebra nos protocolos oficiais…

The very thought of you and I forget to do
The little ordinary things that everyone ought to do
Im living in a kind of daydream
Im happy as a king
And foolish though it may seem
To me thats everything

The mere idea of you, the longing here for you
Youll never know how slow the moments go till Im near to you
I see your face in every flower
Your eyes in stars above
Its just the thought of you
The very thought of you, my love

The mere idea of you, the longing here for you
Youll never know how slow the moments go till Im near to you
I see your face in every flower
Your eyes in stars above
Its just the thought of you
The very thought of you, my love

Nat King Cole, para disparar meu coração, aumentar a intensidade dos suspiros e me colocar no tal “daydreaming mode”. Thomás sabe das coisas. Na verdade, sem precisar dizer nada Thomás sabe tudo, pelo menos o “essencial”.
I could be a mad bitch sometimes beibes, mas atualmente estou atuando mais no sweetie mode por razões que minha própria razão decidiu ignorar. Dessas coisas que a gente sente e nada mais importa. Só por que é bom e faz a vida mais feliz. Daydreaming gente, altamente recomendo. Agora saiam daqui e vão ser felizes, por que é exatamente o plano que tracei para o tempo enquanto a vida me permitir (this time).

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Sunday all Made of Bricks.

Publicado por Ligia em Março 2, 2008

All I know is that you’re so nice,
You’re the nicest thing I’ve seen.
I wish that we could give it a go,
See if we could be something.

I wish I was your favourite girl,
I wish you thought I was the reason you are in the world.
I wish I was your favourite smile,
I wish the way that I dressed was your favourite kind of style.

I wish you couldn’t figure me out,
But you always wanna know what I was about.
I wish you’d hold my hand when I was upset,
I wish you’d never forget the look on my face when we first met.

I wish you had a favourite beauty spot that you loved secretly,
‘Cos it was on a hidden bit that nobody else could see.
Basically, I wish that you loved me,
I wish that you needed me,
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three.

I wish that without me your heart would break,
I wish that without me you’d be spending the rest of your nights awake.
I wish that without me you couldn’t eat,
I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep.

All i know is that you’re the nicest thing I’ve ever seen;
I wish that we could see if we could be something

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La valse d’Amélie e o chapéu de Alice: listen the music and just follow the white rabbit

Publicado por Ligia em Março 2, 2008

Então, fecho os olhos, assim, para piscar. E quando reabro, eis que estou no mundo vermelho e verde de Le Febuleux Destin d’ Amélie Poulain. Com direito à joguinhos onde os olhos buscam alguém nas escadas banhadas à luz vermelha que levam ao Inferno de Dante. Nesse caso especial, um inferninho divertido, barulhento e quente onde pessoas dançam aos sons dos anos 80. Nem David Bowie imaginaria. Mas agora até ele faz parte do jogo, estampado na camiseta do moço dançando ali ao lado. Calor, música, dança e sinestesia, criando aos poucos de um encontro despretensioso, um jogo estimulante e curioso. Aonde isso vai chegar? Inevitável. Mesmo sem o chapéu roxo de Alice no País das Maravilhas. Just follow the white rabbit…
Mais calor e muita sinestesia, não importa a melodia no salão, Kate Nash não saia de minha cabeça, sua voz doce, sweet as you. E como esquecer do cheiro verde de menta?
Inesperado e especial. Coisas para pensar no resto do dia e fazer sorrir no meio da semana. Noite intensa, seguida por uma dessas manhãs chatas de domingo que teimam em acabar deixando um vaziozinho de falta, da vontade de estar ali um pouquinho mais. E o resto do dia passa melancólico e aéreo. Talvez fosse um pouco isso impresso nos sorrizinhos e suspiros. E lembro dos olhos (os seus) quando me questionava: “Fala?” Mas (eu) só sabia sorrir e suspirar. Tá, se pudesse declamaria uns cento e tantos poemas de amor. Mas não me lembrava uma frase sequer. Ao menos uma que não soasse piegas demais, boba demais. E restava sorrir, suspirar e pensar no quanto à vida pode ser simples, feliz e absolutamente inesperada.

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Das coisas que gostaria de ter escrito.

Publicado por Ligia em Fevereiro 27, 2008

Do Vinícius, sobre a separação do livro ” Para viver um grande amor”.

Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles.
Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação.
Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce.
Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias – um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas.
De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde…”

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