Como ser pagã aos sábados de Deus.
Publicado por Ligia em Dezembro 15, 2007
Sábado preguiçoso daqueles que amanheço com as meninas dormindo comigo. Cada qual de seu jeito, uma nos pés, outra nos braços e a mais tímida na espreguiçadeira ao lado da cama. E faz sol. O céu daqui já não faz-se tão azul quanto no inverno. Agora coalhado de nuvens, presságio de chuva logo mais à tarde. Ainda assim não há em todo o mundo céu mais belo. Nem filhas mais queridas e devotadas. Por isso nego-me à levantar por minutos preciosos a mais com cada uma. Até que chega o momento de levantar para enfrentar cada um dos afazeres rotineiros de sábado. Mas a faxina, o mercado, o cozinhar, cada um deles passa lenta e prazeirosamente. Pois é sábado, nada está dentro do horário, nada faz parte de uma rotina atrelada à obrigações. E a tarefa menos glamurosa torna-se aprazível. “Por que hoje é sábado” sabiamente dizia (ou diz ainda) o locutor da rádio educativa nos tempos do início da minha juventude. E a Deus agradeço por todos os sábados. Que passem assim, doces, lentos, saboreados em cada segundo. Sábados onde tudo é permitido. Almoços regados à champagne e boa música, onde até mesmo o locuto da rádio está em sintonia perfeita, colocando daquelas músicas que enchem o peito e expandem a alma. Tudo é doce, feliz e calmo, e as meninas ainda dormem. Eu me permito vestir qualquer coisa entre o rosa e o rendado. E o dia passa com o céu a cada minuto mais dominado pelo branco das nuvens, até que finalmente cai a chuva de dezembro, com sua brisa que arrepia cada pelo do braço. Por que hoje é sábado, e a vida pode ser assim tão suave, doce e feliz.
E mais tarde Dub na praça cá para os lados de Santé. E que Jah segure as chuvas dezembrinas:)